segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Transporte Coletivo - Usuários reclamam de atraso e superlotação em ônibus de linha intermunicipal

 



Margarete Micheletti
Registro


Desde a segunda quinzena de janeiro, os usuários da linha de transporte coletivo entre Cajati e Registro, feita pela empresa Princesa dos Campos, vêm enfrentando dificuldades com a superlotação nos ônibus e o atraso nos horários. Na quarta-feira, 08/02, um grupo de passageiros reclamou sobre o problema ao Jornal Regional. “Os ônibus dessa linha sempre andaram muito lotados nos horários de pico, mas agora piorou demais. As pessoas se espremem em pé no corredor e até nas escadas de acesso, e a gente ainda enfrenta meia hora de atraso em média por viagem”, relata uma servidora pública que mora em Jacupiranga e atua na área da saúde em Registro.
Outra servidora, também do setor da saúde e moradora de Cajati, explica que por causa do atraso do ônibus não tem conseguido chegar no horário certo para trabalhar, mesmo saindo mais cedo de casa. Ela sai de Cajati às 5h45 da manhã e tem chegado cerca de 10 minutos atrasada no serviço, que começa às 7 horas. “O pior é que esse atraso depois vai ser descontado do meu salário”, comenta. “Será que vou ter de sair duas horas antes de casa para chegar no horário e não perder dinheiro?”, questiona.
A funcionária de um hospital de Registro, também moradora de Cajati, reforça que a viagem que antes durava no máximo uma hora, agora tem demorado até 1h30. Um colega de trabalho, que mora em Jacupiranga, disse que tem usado o ônibus da Princesa dos Campos apenas na volta para casa, no final da tarde. De manhã, para não chegar atrasado ao trabalho, ele é obrigado a utilizar outra empresa de transporte. “Mas não dá para fazer isso todo dia, porque o custo é muito mais alto”.


Segundo os usuários ouvidos pelo Jornal Regional, o problema do atraso nos horários se acentuou nas últimas semanas depois que a empresa implantou o sistema de cartão na cobrança da passagem. Sem cobradores nos ônibus, os motoristas é que ficaram com a responsabilidade da cobrança e entrega dos cartões aos passageiros. “Enquanto o motorista não cobra de todo mundo, o ônibus não pode sair do lugar, o que gera o atraso em cadeia”, explicam os usuários. Além disso, os ônibus perderam lugares de assento para a implantação da catraca eletrônica. “Menos espaço para sentar, mais gente em pé e, consequentemente, mais aperto no corredor”, comentam. Outra situação constatada é que, de modo geral, os usuários têm tido dificuldades em utilizar o cartão. “O sistema trava várias vezes na saída das pessoas. Quando dá problema na catraca com o cartão e o veículo está sem o fiscal de apoio, o motorista tem de parar o ônibus para ir liberar a catraca, e isso acaba atrasando ainda mais a viagem”.

Os usuários ouvidos pelo Jornal Regional já fizeram reclamações protocoladas à empresa Princesa dos Campos em Registro e em Ponta Grossa (sede) e à agência reguladora responsável pelo serviço de transporte no Estado, a Artesp, mas até a quarta-feira desta semana não haviam recebido algum retorno satisfatório. “Já cheguei a ligar até de dentro do ônibus para a empresa cobrando um melhor atendimento”, relata uma das servidoras. A reivindicação principal é a colocação de mais ônibus nos horários de pico da linha – no início da manhã, entre as 5h45 e às 7 horas, e no final da tarde, entre as 17 e as 17h45 – mesmo que não sejam ônibus adaptados com a catraca eletrônica. “A empresa não se planejou direito para implantar o novo sistema e está causando o maior estresse na gente que trabalha e precisa cumprir horário. É um desrespeito total”, comenta uma das usuárias do serviço.

Procurado pelo Jornal Regional, o gerente da Princesa dos Campos em Registro, Jair Bueno de Camargo, esclareceu que a empresa é ciente do problema e “está fazendo um estudo para agilizar o atendimento da demanda”. A tendência, segundo ele, é a situação melhorar. O gerente admite que o atraso na viagem é devido à implantação da “bilhetagem eletrônica” já que, em função da falta de agilidade das pessoas – principalmente dos idosos - com o novo sistema, há demora no momento do desembarque. “Colocamos uma pessoa em cada ônibus para orientar os passageiros. A catraca eletrônica é uma coisa nova e o pessoal vai aos poucos se acostumando”.
Mas, além disso, o gerente disse que o fluxo de clientes também aumentou na última semana, gerando um excesso de passageiros nas lotações, nos horários de pico. Ele acredita que o número de veículos é suficiente para atender a demanda bem como a tabela de horários disponíveis. “Nós temos sete horários saindo de Cajati entre as 5h45 e 8 horas, mas o problema é que o pessoal só quer usar os horários das 6h50 e das 7 horas”. Quanto à reclamação do atraso no horário de chegada em Registro pela manhã, o gerente disse que uma das alternativas que a empresa pode adotar é a antecipação do horário de saída de Cajati (de 5h45 para 5h30).

Fonte: Jornal Regional

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